Contato Vip


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6 de novembro de 2019

Pequenos no tamanho, gigantes no talento


A arte tem uma influência imensa na vida das crianças. Afinal, ela é a responsável por aguçar seus sentidos, desenvolver suas habilidades e proporcionar momentos de interação. Temos muitos exemplos de crianças que dedicam boa parte do seu tempo livre à arte – e que não só aprendem através dela, mas também se divertem muito por causa dela! Nessa reportagem queremos te apresentar algumas dessas crianças, que cantam, dançam, atuam e têm diferentes formas de arte presentes no seu dia a dia…

Na música…

Pedro Franck vem de uma família de músicos. Seu pai, Adilson Franck, é sobrinho do cantor tradicionalista Rui Biriva, sendo assim, a música sempre fez parte da sua vida. “A música sempre me chamou atenção, pois poderia estar brincando com o que mais gostava, se tocasse alguma música na TV ou qualquer outro lugar, largava tudo na hora e ia em busca daquele som”, conta.

Pedro diz ter um estilo eclético, pois vai da música gaúcha ao MPB, do sertanejo aos sucessos internacionais. Ao tradicionalismo, em especial, ele também se dedica a dança e com a música “Birivas”, conquistou em 2017 o 1º lugar na categoria mirim da Searinha da Canção – um dos tantos prêmios que já recebeu devido ao seu talento.

Pedro não faz aulas de canto, mas tem a ajuda do pai para reforçar suas técnicas e da sua fonoaudióloga, que o ensina a como cuidar da voz. Ao subir em um palco, ele conta que o mesmo sentimento sempre toma conta. “É uma sensação boa, pois estou em um espaço que gosto. Sempre vem o nervosismo, mas com confiança e determinação, tento fazer o meu melhor”, destaca. Hoje, Pedro diz não ver a música como uma profissão, mas sim como instrumento para usar como diversão entre amigos e família.

 

Na patinação…

Maria Eduarda Wiethölter Lopes tem 8 anos e começou a patinar no início de 2016, quando as aulas iniciaram na sua escola. Porém, ela descobriu que queria patinar no finalzinho de 2015, quando a técnica Andressa entrou na sua sala de aula e entregou uma propaganda da escola de patinação. “Ela disse que as aulas iam começar e eu logo fui pedir para minha mãe se eu podia fazer patinação”, conta. Maria Eduarda faz patinação na Pattinare. Suas aulas são na Arena São Cristóvão e no Colégio Notre Dame. Ela treina mais ou menos de cinco a seis horas por semana, além de fazer treinos extras quando as competições se aproximam e dos ensaios para os shows. Para completar a rotina, ela ainda faz pilates e vôlei.

Fotos: Anderson Corcino

A pequena se encantou com a patinação por achar um esporte diferente, que tem dança, música, é alegre, divertido e ainda é sobre rodas, o que ela acha mais lindo! “Eu acho muito legal treinar, aprender todo dia um movimento novo. Gosto muito dos saltos e giros. Eu amo me apresentar nas competições, nos shows, fazer coreografias novas, sozinha ou com minhas amigas. É muito legal também brincar, viajar com minhas colegas da equipe e torcer por elas nas competições. E o que mais eu amo são as professoras”, destaca.

Maria Eduarda já participou de 12 competições e, segundo ela, todas foram muito legais. Neste ano ela começou a fazer duas modalidades de patinação: livre, que tem bastante saltos; e free dance, que é mais dançado e que ela acha mais difícil. Nas competições ela já trouxe para casa muitas conquistas, entre elas, a primeira medalha da Copa Mercosul e o segundo lugar no campeonato gaúcho no free dance, provas mais difíceis e que ela se saiu super bem! “Para ser uma patinadora tem que ter bastante simpatia, expressão, equilíbrio e força para fazer os movimentos. Também tem que decorar as coreografias e os nomes das figuras, saltos e giros que são todos em inglês. Tem que treinar muito e não desistir quando erra. Nas competições, tem que aproveitar o momento, se divertir, não ficar muito nervosa e não ficar triste quando não ganha a prova”, enfatiza.

Os pais Marcelo Cordeiro Lopes e Daniela Wiethölter Lopes veem a filha apaixonada pela patinação desde o início e admiram a sua dedicação pelo esporte. “Para a Duda a patinação é diversão, assim como é brincar com as amigas ou ir em uma festa. Se ela tem que escolher entre treinar e ir numa festa, prefere treinar. Se tiver competição então… não tem dúvidas, prefere competir! Nos treinos, ela tem o ritmo dela, brinca bastante, mas também se concentra porque sabe que para aprender tem que ter esforço. Ela sonha em ser técnica e adora quando as técnicas pedem para ela ajudar com as alunas menores”, destacam. Os pais incentivam que ela tenha uma experiência prazerosa e a apoiam incondicionalmente, independentemente dos resultados. “Participamos diretamente da rotina de treinos, campeonatos e shows. Os campeonatos, especialmente, são bem cansativos, mas ela gosta muito de participar e, especialmente, acompanhar as provas das colegas e ajudar as técnicas. Gostamos muito de estar presente nesses momentos de aprendizado e de conquistas para ela e, no final, passamos também a aprender muito. Cada pequeno avanço nos emociona e enquanto a patinação for o sonho dela, estaremos ao seu lado”, dizem.

Segundo a mãe, a Duda é uma menina muito segura, sem medos e responsável. Ela se sente realizada com o que faz. “Acreditamos que como a Duda começou muito cedo a patinação, ela desenvolveu autoconfiança, autonomia, controle emocional e vontade de se superar. Para nós, pais, esses valores são muito importantes para formação do seu caráter e da sua personalidade e esse aprendizado é para a vida inteira. As atividades físicas também repercutem na saúde e no corpo. Mas, o mais importante disso tudo é que ela se realiza na patinação e pratica o esporte por prazer!”, finaliza.

 

No cinema…
Pietra Valentina Dal Bosco sempre foi apaixonada pelo mundo da arte. Desde pequena faz aulas de dança, teatro e não perde a oportunidade de colocar os seus talentos em pratica. Neste ano ela teve a sorte de ganhar um sorteio no Instagram, que dava uma bolsa para fazer um curso chamado “Pequeno Cineasta”, que acontece no Rio de Janeiro, e ensina às crianças tudo sobre cinema. Pietra conta que uma das coisas que aprendeu por lá foi como criar um roteiro. Durante o curso os alunos tinham que escrever o seu próprio roteiro para um filme e um dos roteiros seria selecionado para a produção. Os professores adoraram o roteiro escrito pela Pietra, mas não havia set para a filmagem por lá. “Por isso eles sugeriram que eu voltasse para Passo Fundo e fizesse o meu próprio filme!”, conta. O roteiro que dará vida ao filme de curta metragem “Uma vida por um sonho” fala sobre sentimentos, às vezes bons, às vezes ruins, e destaca a força do nosso pensamento, que tem o poder de realizar o que pensamos, seja algo positivo ou negativo. A história do filme é centrada em três amigas que tentam descobrir porque coisas estranhas estão acontecendo com uma delas… “Quando eu lia o roteiro ia pensando em cada uma das personagens e imaginava uma menina perfeita para aquele papel. Convidei as minhas amigas e todas elas aceitaram! A gente trabalha juntas, se dedica e também brinca ao mesmo tempo!”, conta a Pietra, que é a roteirista e diretora do curta.

Carolaen Nicole de Leon estuda teatro desde os quatro anos – e boa parte desse tempo teve aulas junto com Pietra. Por já conhecer o trabalho da amiga, Pietra a convidou para interpretar a protagonista Luísa. “A Pietra conversou com a minha mãe e logo depois me mandou o material sobre o filme, que eu achei muito legal! Já fiz alguns curtas, mas essa é a minha primeira protagonista. Temos que estudar bastante em casa para ensaiarmos todas juntas. É muito emocionante!”, diz.

Jacqueline Caríssimo Cristani conta que sempre gostou muito de assistir a filmes, séries e peças de teatro e que, ao ver tanta gente na TV, pediu a mãe se poderia fazer aulas de teatro. Há 3 anos e meio estudando, Jacqueline já fez peças, curtas e longas-metragens, participou do comercial para a ICOBEM Construtora e foi eleita Melhor Talento do RS e depois do Brasil, com o vídeo de apresentação do  município de Mato Castelhano. Ela e Pietra também estudaram teatro juntas e, por isso, a diretora a convocou para atuar como a personagem Maria. “Ela também tem 8 anos e é a mais nova do trio. Ela é nerd e é a que tem mais juízo (risos). Estamos há mais de um mês trabalhando e estou gostando bastante”, disse a atriz.

Maria Gabriela Sebben Salvi foi escalada para viver a personagem Daniela. Ela é designer de moda e também a mais velha das amigas, por isso está sempre tentando cuidar de todas. “Está sendo uma experiência nova! Estou adorando ajudar a minha amiga a realizar o sonho dela e ao mesmo tempo o meu! A gente se diverte muito, descobre coisas novas, faz amizades…”, destaca. Para ser uma atriz, Maria Gabriela ressalta que é preciso fazer aulas de teatro e cuidar muito a entonação do texto, para representar os sentimentos da personagem. “Se ela está braba tem que ser arrogante, se ela está calma a voz dela tem que ser mais delicada… É preciso cuidar tudo e saber movimentar o corpo”, diz. A irmã de Maria Gabriela, a pequena Maria Antônia, vai participar do clipe do filme. Ela também está sempre presente nos ensaios e diz estar adorando a experiência. “É muito legal, a gente se diverte muito!”.

O curta “Uma vida por um sonho” também vai contar com uma trilha sonora exclusiva, que está sendo criada pela Rafaella Tauffer. Ela canta desde os três anos e aos quatro já começou a fazer aulas de música. Baseado na história do filme, a Rafa está criando uma música, que fala sobre sonhos, pensamentos positivos e persistência. “Estou escrevendo a música sozinha, faço aos poucos e vou mostrando para as meninas. Elas estão gostando! Para fazer os arranjos tenho a ajuda da minha professora de música”, compartilha.

Os ensaios do elenco são feitos sob a supervisão do professor Beto Mayer, que orienta as pequenas atrizes quanto a sua atuação. Em quase todos os sábados elas se reúnem para ensaiar e as primeiras gravações já começaram a ser feitas! A ideia da Diretora Pietra é finalizar as gravações ainda em 2019, para que as edições possam ser feitas até julho de 2020 – afinal, a ideia é participar do Festival Pequeno Cineasta no ano que vem!

Conforme explica a mãe de Pietra, Débora Dal Bosco, foi através do incentivo de Daniela Gracindo, uma das professoras do curso Pequeno Cineasta, que elas decidiram abraçar a ideia de fazer a produção do filme. “Neste ano participamos do Festival Pequeno Cineasta como espectadoras e, se tudo der certo, estaremos lá no ano que vem exibindo o curta! Tudo vai depender do resultado final. As meninas estão bem focadas e dedicadas, pois entendem a importância desse curta, afinal, se ele tiver um bom resultado elas estarão nas telonas do Rio de Janeiro em 2020!”, comemora.

As gravações do filme não geram custos para os pais, pois são feitas com celular e o set de gravação é a própria casa. Débora também conseguiu algumas parcerias para fazer fotografias e as camisetas que identificam a equipe. As meninas entendem que a proposta não é tornar ninguém famoso, mas sim se reunir e fazer um filme bacana, com a chance de estar no Rio de Janeiro no ano que vem. “Não sabemos se elas se tornarão atrizes no futuro ou se trabalharão com o cinema, mas esse envolvimento com a arte elas levam para a vida através da disciplina, da improvisação… Eu acho que arte tira as crianças de outras coisas, mas entendo que não é toda a criança que tem a oportunidade de entrar em contato com a arte. Nós somos privilegiados, sim, porque a arte não é valorizada e não é de fácil acesso. Através da arte eles aprendem a se comunicar, a escrever, a estudar… a arte deveria ser obrigatória nas escolas em todas as disciplinas!”, acredita Débora.



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