Assisti hoje no programa da Ana Maria a entrevista de Martha Medeiros, a gaúcha que está na top list dos escritores nacionais. Já vi a Martha na Marília Gabriela e no Jô Soares, mas meu sonho ainda é entrevistá-la para a Contato VIP.
Me identifico demais com a Martha e até arriscaria dizer que ela é a minha alma gêmea, dizem que todos têm a sua, tal é a sintonia de pensamentos que me faz assinar embaixo dos seus textos e citá-los, como já fiz inúmeras vezes.
Meu primeiro contato com Martha foi por volta de 1999 quando li, e me encantei, com o seu livro Trem Bala. Depois disso consumi quase toda a sua literatura que já chega a 24 livros.
Mas o que eu tenho de parecido com Martha? Vamos lá. Primeiro apesar de ter nascido em anos diferentes, tem dois meses do ano que ficamos com a mesma idade, o que significa que somos da mesma geração, passamos pelas mesmas transformações sociais, as mesmas músicas, obras, enfim.
O primeiro contato de Martha com a literatura feminista foi através da também incrível escritora Marina Colassanti. O meu também. Li e reli diversas vezes o livro “Nova Mulher” (1980) e através dele abri meus horizontes pra tudo o que o mundo feminino nos desafiava.
Ser péssima fisionomista. A minha cara. Assim como Martha tenho a maior dificuldade em guardar fisionomias. Sei que conheço, mas não me pergunte de onde. Sou capaz de reconhecer cheiros da minha infância, mas se vi a secretária do médico na balada, sei que conheço, só não sei de onde, por isso normalmente saio cumprimentando e distribuindo sorrisos a quem sorri pra mim.
Mas fora estas e outras semelhanças, me identifico com a maneira de Martha extrair poesia das coisas do cotidiano. A vida não é sempre uma festa, um ato solene ou de bravura. A vida é rotina, é o dia a dia. Não existe final feliz, até porque final só acontece em filme ou novela. Pra nós o final de hoje é o convite para o recomeço de amanhã. Falar aquilo que sentimos, mas muitas vezes não conseguimos expressar, se colocar como uma pessoa normal, que escreve através de suas próprias vivências, dores e amores, é o que faz da Martha essa pessoa tão intima de todos nós.