Aos 15 anos, a bailarina passo-fundense Mariana Wonsick Sperry viveu, no fim de julho, uma experiência que pode marcar uma nova etapa em sua trajetória artística. Aluna do Estúdio de Danças Jorge Rios, de Passo Fundo, Mariana foi finalista no Festival de Joinville, um dos mais importantes eventos de dança do país, participando na categoria Danças Urbanas com o grupo Street Company, de Tatiana Souza, de Maringá.
A oportunidade surgiu a partir de uma audição aberta pelo grupo paranaense para bailarinas de até 15 anos. As candidatas deveriam enviar um vídeo de até um minuto, apresentando uma coreografia que demonstrasse suas habilidades. Aproximadamente 100 vídeos foram recebidos e Mariana ficou entre as oito selecionadas.

Um sonho que ganhou forma
Participar do Festival de Joinville era um sonho para Mariana. A experiência, porém, foi muito além da expectativa de estar em um grande palco. Para chegar à apresentação, a jovem enfrentou uma rotina intensa de preparação, com ensaios puxados, aproximadamente nove horas diárias de treinamento, alimentação regrada e o desafio de permanecer em alojamento, longe da cidade e da família.
“Eu não acreditava muito que ia conseguir. Fiquei muito feliz quando soube”, conta Mariana.
A experiência também trouxe aprendizados que ultrapassam a sala de aula e o palco. Aos poucos, a adolescente percebe que a dança pode deixar de ser apenas uma paixão para se transformar em profissão. “Foi uma virada de chave”, resume.

Mariana começou no balé aos dois anos e permaneceu na modalidade até os sete. Foi então que decidiu experimentar as danças urbanas. Há cinco anos, encontrou no Estúdio de Danças Jorge Rios o espaço para desenvolver essa nova paixão. Hoje, aos 15, já pensa em seguir profissionalmente na dança.
Um estúdio que forma bailarinas e pessoas
A conquista de Mariana é também motivo de orgulho para o Estúdio de Danças Jorge Rios e traduz um trabalho que vem sendo construído ao longo de seus oito anos de trajetória. O espaço acolhe tanto quem encontra na dança uma forma de prazer e expressão quanto aquelas que desejam ir além e investir em uma formação mais aprofundada. Para estas, o estúdio mantém um núcleo de formação avançada, voltado a bailarinas entre 11 e 18 anos, no qual os desafios e as exigências crescem à medida que elas avançam.
A proposta vai além do aprimoramento dos movimentos. A formação de uma bailarina envolve técnica, preparação artística e, sobretudo, desenvolvimento emocional — aspectos que precisam caminhar juntos para que ela esteja preparada para os diferentes desafios da dança. “É um trabalho de quatro a cinco anos. Dentro do estúdio, a gente trabalha a preparação técnica, artística e emocional. Essas três áreas precisam estar alinhadas”, destaca Jorge Rios.

Workshops, competições e outras experiências fazem parte desse processo e ajudam a ampliar os horizontes das bailarinas, oferecendo contato com diferentes profissionais, estilos e ambientes. Foi nesse caminho de preparação e incentivo que surgiu a oportunidade de Mariana chegar a Joinville.
“É um orgulho muito grande. Joinville é um grande sonho, e ver uma aluna de Passo Fundo conquistando uma premiação dessas representa todo o trabalho que a gente vem fazendo nesses oito anos”, afirma Jorge.
Nessa caminhada, existe um terceiro elemento essencial, que completa o trabalho desenvolvido no estúdio: a família.
O tripé: estúdio, bailarina e família
Para Jorge Rios, a formação de uma bailarina acontece a partir de um tripé: estúdio, bailarina e família. Cada parte tem uma função importante e, quando as três caminham juntas, o desenvolvimento ultrapassa a técnica. “A família não é apenas o suporte financeiro, mas principalmente emocional. Quando têm mãe e pai na plateia, é diferente.”

Foi exatamente essa emoção que Sheila Wonsick e José Sperry sentiram ao assistir à filha no palco. Para os pais, acompanhar Mariana nessa trajetória é uma mistura de emoção, orgulho e satisfação.
A dança, aos poucos, passou a ocupar um espaço central na vida da adolescente — e o compromisso da família também cresceu junto com esse sonho. “A dança passou a ser a vida dela, e nosso apoio sempre foi incondicional”, destacam os pais.
Para Mariana, a experiência em Joinville representa além de uma conquista, a certeza de que o sonho de seguir profissionalmente na dança pode, sim, ganhar novos contornos. No palco, a jovem levou consigo anos de dedicação e de formação no Estúdio de Danças Jorge Rios, o apoio da família e o nome de Passo Fundo brilhando em um dos maiores festivais do mundo.
