Eni Thimoteo é mãe da advogada Kelly e da médica Kerolayne. Neste Dia das Mães, ao estampar a capa da VIP Digital, elas falam sobre sua relação, em uma matéria especial que reúne os sentimentos de cada uma
Basta passar um tempo ao lado de Eni e suas filhas Kelly e Kerolayne para perceber o quão forte é o laço entre elas. É uma relação que transcende os papéis de mãe e filhas, e que exalta a amizade, o companheirismo e a admiração mútua entre todas.

Eni conta que sua jornada como mãe iniciou quando ainda era muito jovem, e que foi se moldando ao mesmo tempo em que criava a primeira filha, Kelly. “Eu sempre fui aquela mãe que não leva as coisas muito a sério, mas ia ensinando elas a enfrentarem as situações da vida”, conta.
Como mãe, ela sempre tentou passar às filhas os valores da honestidade e da fé, que também foram inspirados pelo legado de força e honra deixados pelo pai. “Algo importante é nunca perder a fé, nunca se perder de Deus, da igreja, da Virgem Maria. Temos tropeços na vida, sim, mas segura em Deus e você consegue chegar aonde você quer. Ele é o provedor de todas as coisas na vida da gente e Ele não vai virar as costas jamais. Então seja honesta sincera, espalhe teu brilho por onde passar, seja sua luz… São coisas que sempre disse à elas”, destaca.

Eni é uma mãe cheia de orgulho pelas filhas, e só recebe elogios por onde passa. “Como profissionais elas são duas lutadoras, duas guerreiras, honestas, corretíssimas, por onde elas passam a luz fica. A Kelly com os clientes da área jurídica, a Kerol com os pacientes da área medica. Não tem orgulho maior pra um pai e uma mãe. Elas são duas filhas maravilhosas que só me dão orgulho em todos os sentidos. Só tenho gratidão a Deus pelas filhas maravilhosas, lindas, perfeitas, saudáveis, inteligentes… tudo de maravilhoso são minhas filhas!”, afirma.
Mesmo com as filhas adultas, a preocupação de mãe nunca acaba, e Eni está sempre ligando para elas, querendo saber se estão bem, se comeram, se chegaram bem… E as filhas demonstram a mesma preocupação com a mãe.
Eni sente-se realizada como mãe e não deixa dúvidas sobre a grandeza do amor que sente pelas filhas: “Elas são as coisas mais importantes da minha vida. Todo dia peço a Deus que as proteja onde estiverem, que Jesus esteja presente, cuidando delas. Só gratidão por ter essas duas princesas na minha vida”, finaliza.
Como o Dia das Mães é uma data para que elas sejam homenageadas, à seguir são as filhas Kelly e Kerolayne que compartilham seu amor e admiração pela mãe.
“Ela é nosso porto seguro”
A advogada Kelly Thimoteo Seganfredo construiu com a mãe, uma relação marcada pelo amor, pelo diálogo e pela cumplicidade. Elas dividem uma essência baseada no cuidado, na união e no propósito de fazer o bem, como Kelly compartilha em seu depoimento:
“Minha mãe é uma mulher extremamente positiva, daquelas pessoas que sempre encontram uma palavra de esperança em qualquer situação. Ela transmite segurança, acolhimento e a sensação de que tudo vai dar certo. Sempre foi uma mulher forte, doce e muito presente na nossa vida.

O maior ensinamento que ela nos deixou foi que a família vem sempre em primeiro lugar. Ela sempre nos ensinou a importância da união, do amor e do apoio entre nós, porque juntas somos muito mais fortes. Também aprendemos com ela que é possível ser doce sem deixar de ser forte.
Aprendemos com ela a celebrar a vida e sermos gratas pelas pequenas coisas. Fomos ensinadas a valorizar cada conquista, mesmo as mais simples, e a viver o presente com alegria, leveza e gratidão.

Desde pequenas fomos incentivadas a sermos independentes. Nossos pais sempre valorizaram muito os estudos, o aperfeiçoamento e a responsabilidade. Crescemos aprendendo a tomar nossas próprias decisões e a buscar constantemente evolução pessoal e profissional.
Construir a nossa identidade profissional foi algo muito natural, porque tivemos uma base muito sólida dentro de casa. Crescemos em uma família cheia de princípios e valores, aprendendo a respeitar as pessoas, tratar todos com igualdade e dar sempre o nosso melhor em tudo o que fazemos. Isso nos ajudou a construir nossa própria identidade sem perder nossa essência.
A forma como conduzimos nossa carreira tem muito da essência da nossa mãe. Ela sempre foi muito prestativa, amorosa e preocupada com quem mais precisa. Tanto ela quanto nossa avó sempre tiveram um olhar humano e acolhedor, ajudando as pessoas sem esperar nada em troca. Isso nos ensinou a exercer qualquer profissão com empatia, responsabilidade e amor ao próximo.

Nossa relação sempre foi baseada em muita amizade e cumplicidade. Temos o hábito de conversar por horas todos os dias, compartilhar novidades, sonhos e até as pequenas coisas da rotina. Existe muito diálogo, carinho e parceria entre nós.
Admiro a força, a generosidade e a capacidade dela de sempre enxergar o lado bom da vida. Admiramos também a forma como ela cuida das pessoas e dos animais com amor, leveza e dedicação.
Gostamos muito de conversar, passar tempo em família, celebrar momentos simples e estar presentes na vida uma da outra. Para nós, os momentos mais especiais são justamente aqueles compartilhados no dia a dia.
Se pudesse definir o legado da minha família uma frase, diria: uma família unida pelo amor, pela força e pelo propósito de fazer o bem”.
Minha mãe é abrigo
Médica Psicanalista, Kerolayne Thimoteo, compartilha como a força da mãe moldou não apenas sua vida pessoal, mas também sua forma de enxergar o cuidado, a profissão e o amor.
“Minha mãe é abrigo. É a pessoa que sempre soube quando eu não estava bem antes mesmo de eu dizer qualquer coisa. Ela me conhece no silêncio, no olhar, nos pequenos gestos. É uma mulher muito sensível, intensa, daquelas que sentem tudo de verdade e amam de um jeito raro, quase invisível às vezes, mas impossível de não sentir. Quando penso nela, penso nas mãos que cuidam, na voz que acalma e naquela sensação de voltar para casa depois de um dia difícil. Minha mãe tem uma força muito bonita, mas nunca deixou que a vida endurecesse o coração dela. E acho que o que mais me emociona é isso: mesmo depois de tudo, ela continua sendo luz para quem está perto.

Minha mãe me ensinou que amor não é aquilo que se promete, é aquilo que permanece. Foi vendo ela atravessar momentos difíceis sem deixar de cuidar da gente que eu entendi o que realmente significa amar alguém. Ela me ensinou sobre fé, sobre continuar mesmo quando dói, sobre confiar que Deus escreve caminhos que a gente ainda não consegue compreender. Acho que aprendi com ela que a vida pode até machucar, mas nunca deve tirar de nós a capacidade de amar, de cuidar e de permanecer com o coração bonito apesar das dores.
Hoje eu me vejo repetindo muitas coisas dela sem perceber. O jeito de cuidar de quem eu amo, de tentar resolver a dor dos outros, de me preocupar demais, de sentir tudo profundamente. Mas, acima de tudo, ela me ensinou valores que carrego como parte da minha essência. Foi minha mãe quem me ensinou o amor pelo catolicismo, por Jesus e por Nossa Senhora. Com ela, aprendi a ter fé mesmo nos momentos difíceis e acreditar que Deus sempre tem um plano maior, mesmo quando a gente ainda não consegue entender. Também herdei dela o amor pelos animais, esse cuidado genuíno com toda forma de vida. Às vezes me pego falando igual a ela, reagindo igual a ela, e isso sempre me emociona.
Não teve exatamente um momento em que me senti pronta para seguir meu caminho. Acho que fui aprendendo enquanto caminhava. Mas crescer, para mim, nunca significou deixar minha mãe para trás. Pelo contrário. Quanto mais eu cresço, mais entendo o quanto dela existe em mim.

Construir minha identidade profissional foi um processo muito profundo de autoconhecimento. Ao mesmo tempo em que eu precisava descobrir minha própria voz, também fui entendendo que minhas origens nunca seriam algo para deixar para trás, mas parte essencial de quem eu sou. Ser médica me fez perceber que existe muito da mulher que me criou em cada forma de cuidado que ofereço, na maneira como escuto, acolho e me importo com as pessoas. Acho que amadurecer profissionalmente também foi aprender a equilibrar a minha individualidade com tudo aquilo que herdei dela. Hoje entendo que construir minha própria trajetória não significou me distanciar da minha história, mas honrar tudo o que veio antes de mim enquanto criava meu próprio caminho.
Minha profissão nasceu muito da forma como fui amada pela minha mãe. Cresci vendo uma mulher que, mesmo cansada, nunca deixou de cuidar, de acolher, de sustentar quem amava. Acho que aprendi com ela que existir também é estar disponível para o outro. Ser médica, para mim, nunca foi apenas uma escolha profissional, foi a continuação de tudo que ela me ensinou sobre cuidado, presença e amor.
Minha mãe influencia minha carreira todos os dias, tanto pela essência quanto pelas palavras. Depois que perdemos meu pai, eu vi nela uma força que mudou minha forma de enxergar a vida. Mesmo vivendo a própria dor, ela segurou todas as barras, sustentou nossa família e nunca deixou que nos faltasse amor ou direção. Foi ela quem me incentivou quando eu pensei em desistir, quem me lembrou da mulher que eu poderia me tornar e quem acreditou em mim até nos momentos em que eu mesma não conseguia acreditar. Muitas vezes, foram as palavras dela que me mantiveram de pé. Acho que minha trajetória na medicina também nasceu da força dela.
Hoje nossa relação mistura um pouco de tudo. Ela continua sendo minha mãe, meu porto seguro, a pessoa para quem eu volto quando preciso me reencontrar, mas também se tornou uma das minhas melhores amigas. Existe entre nós uma relação muito baseada em confiança, troca e parceria. Com o tempo, fomos aprendendo a nos enxergar também como mulheres que dividem medos, sonhos, dores e conquistas. Acho bonito perceber que, mesmo depois de tudo o que vivemos, nossa relação amadureceu sem perder o afeto, a leveza e o cuidado. A gente se entende muito no olhar, no silêncio e nas pequenas coisas do cotidiano. E talvez seja justamente isso que faz nossa conexão ser tão forte: além do vínculo de mãe e filha, existe uma amizade construída com muito amor ao longo da vida.

O que eu mais admiro nela é a força e a resiliência. Minha mãe nunca deixou de sorrir apesar das adversidades. A vida tentou endurecê-la muitas vezes, mas ela escolheu continuar sendo luz dentro da própria casa. E, sinceramente, se não tivesse sido a força dela me sustentando nos momentos mais difíceis, eu não teria me tornado médica. Existe muito dela em cada conquista minha, porque foi ela quem me segurou quando eu ainda estava aprendendo a me sustentar sozinha. Também admiro profundamente a capacidade que ela tem de amar sem fazer disso um espetáculo. Minha mãe ama no silêncio das coisas pequenas. E talvez seja exatamente aí que mora a grandeza dela.
Nós gostamos de viver juntas os detalhes mais simples da vida. Conversar sem pressa, sair para tomar um café, rir de coisas pequenas, dividir a rotina, assistir algo juntas ou apenas ficar em silêncio na companhia uma da outra. Acho que nossa relação sempre foi construída muito mais na presença do que em grandes acontecimentos. Com a minha mãe, até os momentos mais comuns ganham significado. É nela que encontro acolhimento, leveza e aquela sensação de casa que não depende de lugar nenhum. E talvez uma das coisas mais bonitas entre nós seja justamente isso: nunca precisarmos de muito para nos sentirmos felizes quando estamos juntas.
Venho de mulheres que aprenderam a atravessar a vida com fé, amor e coragem. Mulheres que, mesmo diante da dor, nunca perderam a delicadeza, a capacidade de cuidar e a força de continuar. Acho que o maior legado da nossa família não está nas conquistas materiais, mas na forma como aprendemos a amar, a permanecer uns pelos outros e a transformar dificuldade em acolhimento. E é essa herança invisível, feita de valores, fé e afeto, que eu quero carregar para tudo o que ainda vou construir”.
Fotos: Fotógrafo Daniel Tatsch