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Pelo Mundo: Idas e vindas à França


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29 de novembro de 2017

Tempo de Leitura: 3 minutos

Pelo Mundo: Idas e vindas à França


O Professor do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da IMED, Dr. Jandir Pauli, é quem narra nessas páginas as suas idas e vindas à França – o país europeu pelo qual tem uma admiração desde a infância. Seu estágio doutoral e seu pós-doutorado foram feitos no país, em dois períodos distintos em que fez da França sua casa. Aqui, ele compartilha as suas vivências e impressões do país, para o qual retorna sempre que possível para realizar suas atividades de pesquisa.

“Posso dizer que viver na França foi um projeto de longo prazo. Meu interesse para conhecer e viver neste país iniciou nas primeiras aulas de história no ensino fundamental e médio e seguiu durante os debates acadêmicos nos cursos de Filosofia e Sociologia. Mas esse projeto somente se mostrou viável recentemente. Após uma série de tratativas, fui aceito pela Université Paris IV – Sorbonne, para a realização de um estágio doutoral de sete meses. Recentemente voltei a residir no país durante mais 6 meses para a realização do pós-doutorado, também na Sorbonne, e sempre que possível volto à Paris para atividades de pesquisa com meu orientador Prof. Philippe Steiner.

Para poder morar em Paris foram necessárias três ações importantes: a primeira foi aprender o idioma, já que para ser aceito eu deveria comprovar proficiência no teste oferecido pela Aliança Francesa. Fiz um curso durante um ano em Passo Fundo e mais dois meses em Porto Alegre, onde realizei a prova.

A segunda ação foi aprovar meu projeto de pesquisa na CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal Superior) para obter uma bolsa de estudos. Qualquer pessoa que pretende morar em Paris precisa considerar que o custo de vida na cidade é bastante elevado… Mas deu certo! O projeto foi aprovado e eu pude contar com uma bolsa de estudos durante todo o período do estágio doutoral e também no pós-doutorado.

A terceira ação foi conseguir a liberação das atividades de docente na Faculdade Meridional IMED. Felizmente esta foi a parte mais fácil, dado que a instituição conta com um programa de apoio para realização de intercâmbios no exterior.

Conhecendo o idioma, com bolsa de estudos e liberação das atividades profissionais, tudo começou a se ajustar e três meses após eu já morava na Cité Universitaire de Paris. Um parque que reúne casas de estudantes de pelo menos 40 países, concentradas em um campus confortável e com uma vida acadêmica efervescente.

Minha primeira vivência em Paris foi em 2010. Cheguei no outono e a cidade estava exuberante. Clima agradável, chão coberto com as folhas douradas dos plátanos, um transporte coletivo incrivelmente eficiente. Posso dizer que a adaptação foi fácil. Logo que cheguei iniciaram as atividades acadêmicas e a agenda de estudos foi dando a lógica da minha permanência. Também pudera, meu espaço de estudos era a Maison de La Recherche, situada na área central, próximo à catedral de Notre Dame, Jardin du Luxembourg, Phanteon e vários outros importantes pontos turísticos.

Um dos aspectos que mais chamou-me atenção é a dimensão cosmopolita da cidade. Isto ficava evidente não somente pela quantidade de colegas estrangeiros na universidade, mas pela atenção aos ideais republicanos da liberdade, igualdade e fraternidade. Aos poucos foi possível descobrir a cidade para além dos a monumentos e pontos turísticos clássicos. Esta foi a melhor parte: aprender a cultura do país, especialmente suas festas, comidas típicas, música e estilo de vida. Os franceses se orgulham não somente da sua tradição na política, filosofia, arte e ciências. Prezam por uma alimentação saudável e adoram discutir as questões da cidade nos cafés e brasseries.

Claro que é preciso considerar que a cultura do interior da França é sensivelmente diferente da cultura parisiense. Não pude conhecer todo país, mas mesmo em cidades de porte médio ou grande como Grenoble, Marseille ou Boudeaux, há uma preocupação em manter o modo de vida francês. Por exemplo, é impressionante observar como eles se preocupam com a alimentação. O tempo dedicado às refeições é em torno de uma hora, a qualidade dos alimentos é superior e nota-se um prazer em ser gourmand (comilão). E mesmo assim, a obesidade está longe de ser problema de saúde pública…

Paris, embora preserve grande parte das características do interior, parece estar mais preocupada com a cultura universal. Seja pelos mais de 200 museus ou pelas incontáveis exposições, feiras e atividades culturais. As universidades atraem estudantes do mundo todo e há uma evidente valorização do pluralismo e da diversidade.

E como toda grande metrópole, Paris vive problemas que se colocam como grandes desafios. A poluição urbana atingiu níveis alarmantes e está exigindo reações de vanguarda. Além disto, a emergência do terrorismo, o recente fluxo migratório global e relação difícil com as ex-colônias na África representam uma séria ameaça.

Mesmo com este cenário, percebe-se nos franceses um otimismo com o futuro. Séculos de história forjados na superação de grandes dificuldades influenciam um comportamento confiante.”



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