Sobre privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Economia – o que esperar para 2018?


Matérias do autor


27 de dezembro de 2017

Tempo de Leitura: 6 minutos

Economia – o que esperar para 2018?


Depois de anos turbulentos, a economia pode finalmente voltar a crescer no país no próximo ano

Em 2010, o Brasil estava no auge de um boom econômico. No ano, tinha registrado o maior crescimento do seu Produto Interno Bruto – PIB em 20 anos, equivalente a 7,5%, segundo o IBGE. O desemprego atingia 7,4% da população; a variação da indústria, do varejo e da safra eram positivas. A confiança dos consumidores e empresários estava alta. Mas, em 2015, apenas cinco anos depois, o país via-se em uma situação completamente oposta – pois a maior crise econômica já vista pelos economistas havia chegado, com a promessa de ficar por um belo tempo. A recessão econômica fez com que o país “encolhesse” 3,8% e o desemprego chegou a atingir 13,7% do país, o equivalente a 14 milhões de pessoas.

Em 2016, segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o aprofundamento da crise fez com que as pessoas mudassem os seus hábitos de vida. A pesquisa apontava que 24% das pessoas tiveram que vender bens para pagar dívidas e 19% mudaram de casa para reduzir o custo com habitação. 48% dos brasileiros passaram a usar mais o transporte público, 34% deixaram de ter plano de saúde e 14% mudaram os filhos da escola privada para a pública. A pesquisa indicou que os hábitos de consumo também haviam mudado, sendo que 78% das pessoas começaram a trocar suas escolhas usuais por produtos mais baratos e 80% esperavam as liquidações para comprar bens de maior valor. A pesquisa ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios, entre 24 e 27 de junho de 2016.

O ano de 2017 começou a trazer algumas perspectivas de mudança desse cenário de crise e recessão econômica. No primeiro trimestre do ano, o PIB cresceu 1,0% em relação ao quarto trimestre de 2016. No terceiro trimestre desse ano, o crescimento foi de 0,1% – um número que pode parecer muito pequeno, mas, se olharmos pelo lado bom, é o terceiro aumento positivo do ano, depois de oito trimestres seguidos de queda.

Adriano Sonda – Presidente do CDL de Passo Fundo

Essas mudanças na economia afetaram o país como um todo – e na nossa região não foi diferente. Segundo o Presidente do CDL de Passo Fundo, Adriano Sonda, o ano de 2017, embora um pouco melhor que 2016, foi um ano difícil. A economia começou a registrar aumento após o mês de agosto, quando cessaram as demissões e o brasileiro encontrou estabilidade em seu emprego. “Agora, bem próximos ao final do ano, os indicativos econômicos do país como os juros menores, a inflação baixa e o aumento no crédito nos levam a acreditar que, ainda assim, teremos uma venda superior aos dois últimos anos. Temos uma expectativa muito positiva para o fechamento de 2017, que ainda precisa se confirmar”, ressalta Adriano.

Em Passo Fundo, o SCPC – Serviço Central de Proteção ao Crédito, recuperou mais de R$17 milhões às empresas que incluíram seus devedores no banco de dados nos seis primeiros meses do ano. 33,32% das dívidas foram pagas em até 13 dias após o registro, o que indica o desejo dos consumidores em manter seu crédito em dia. “Ainda assim, sabemos que a inadimplência em Passo Fundo segue um pouco acima da média histórica, mas sentimos que os consumidores estão preocupados em ter suas dívidas quitadas e procuram as empresas para pagamento ou negociação. Nesta época do ano, o 13º salário na economia faz com que os consumidores priorizem o pagamento de dívidas, contribuindo para reduzir a inadimplência”, explica o Presidente.

As perspectivas nacionais para a economia em 2018 apresentam alguns números positivos. Segundo projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgadas em novembro, o país deve sair da recessão em 2017 – e aumentar o seu ritmo de crescimento em 2018 e 2019. A expectativa de crescimento subiu de 1,6% para 1,9%, e está aliada a inflação que estará abaixo da meta, permitindo taxa de juros menores e, consequentemente, mais investimentos. “Tudo indica que teremos um crescimento no PIB nacional e gaúcho em 2018, o que nos dá otimismo para iniciarmos o ano. A crise econômica perdeu força: a inflação está em baixa, os juros estão diminuindo e os consumidores não têm mais o medo do desemprego. Quando volta a confiança, aumenta o consumo. Não voltaremos tão cedo ao nosso patamar mais alto, de 2014, e isso vale para o comércio, para as vendas. Mas, como já disse, os índices mostram resultados positivos e tudo ajuda para estimular o consumo e, consequentemente, registrarmos aumento das vendas”, destaca Adriano.

 

 

Expectativas e incertezas para a política e a economia em 2018

Convidamos o Economista e Doutor em Sociologia Política Ginez de Campos para nos ajudar a traçar um panorama de como se comportará a nossa economia em 2018 – ano que também será marcado pelas eleições presidenciais. A seguir, você confere o artigo escrito por ele, com exclusividade para a Contato VIP.

Ginez de Campos – Economista e Doutor em Sociologia Política e Professor da Universidade de Passo Fundo

O cenário econômico e também político para 2018 gravitará em torno de muitas expectativas, e também de muitas incertezas, principalmente em função da possibilidade de um aprofundamento da atual crise política institucional que vem assolando o país em 2017 e que promete continuar em 2018. É importante destacar que 2018 será um ano eleitoral com muitas incertezas quanto aos possíveis candidatos à presidência da república, o que poderia até certo ponto, caso tivéssemos bons e confiáveis gestores públicos, apontar um possível caminho de estabilidade política e econômica para o futuro. No entanto, a polarização política que vive o país atualmente poderá transformar o processo eleitoral de 2018 em um fator a agravar ainda mais o quadro político, com incertezas, e até mesmo efeitos negativos para a economia.

A insatisfação da sociedade brasileira com a atual classe política, na sua grande maioria envolvida com corrupção, poderá resultar em uma das eleições com o maior número de votos brancos, nulos e abstenções da história eleitoral do país. A frustração da sociedade brasileira com a política é enorme, o que por sua vez poderá contaminar as expectativas econômicas para o próximo ano. É importante destacar que expectativas econômicas negativas tendem a inibir o consumo e os investimentos, que por sua vez, são condicionantes macroeconômicos importantes para a retomada do crescimento econômico e do emprego.

Mas apesar deste nebuloso quadro político institucional para 2018, inúmeros economistas (mais otimistas) vêm projetando um cenário um pouco mais positivo e confortável para a economia brasileira em 2018. A expectativa é de que a inflação se mantenha controlada, que os juros continuem baixos, com uma lenta, porém gradual, retomada do crescimento do PIB. Neste possível cenário, tais expectativas poderão criar um ambiente de incentivo para a retomada dos investimentos, do consumo e da geração de empregos. Segundo alguns analistas de mercado depois dos encaminhamentos das reformas estruturantes propostas pelo governo (reforma trabalhista e previdenciária), a exemplo de algumas medidas, que tentam reorganizar as contas públicas, existe a possibilidade desse cenário favorável se concretizar em 2018.

Recentes dados do Boletim Focus do Banco Central (Bacen) mostram que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2018 está sendo estimado para 2,30% pelos analistas de mercado. No que se refere à inflação a projeção é de que a mesma continue no centro da meta, ou seja, em torno de 4,5%. Por sua vez, a taxa de juros básica da economia (taxa Selic) deverá continuar baixa, em torno de 7% ao ano. Em síntese, estes números apontam que o ano de 2018 promete ser um ano um pouco melhor que os anos de 2016 e 2017.

No entanto, outros analistas econômicos discordam deste cenário muito otimista (me situo entre eles) e preveem com base em outros dados, de que o quadro econômico poderá até piorar no ano que vem, pois a atual crise política e econômica torna o cenário para eleição presidencial de 2018 como um dos mais imponderáveis desde a redemocratização do país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV) o PIB vai crescer em média 1,8%, abaixo da expectativa de 2,30% como estimam os analistas mais otimistas. O desemprego deverá continuar em 2018, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar Contínua (PNAD) do IBGE. A taxa de desocupação atual é de 12,2% com 12,7 milhões de desempregados e promete não se modificar muito tão rapidamente em 2018.

Evidentemente que qualquer que seja o cenário para 2018, seja ele otimista ou pessimista, tudo dependerá da percepção que o mercado fará quanto aos rumos que tomará as eleições para presidente no ano que vem. Em outras palavras, uma tendência para um ou outro candidato poderá resultar em um ano de muita instabilidade, podendo inclusive provocar uma grande volatilidade do dólar, trazendo sérias dificuldades para a gestão macroeconômica e fragilizando as expectativas positivas, podendo comprometer a retomada do crescimento econômico para o ano que vem. 2018 será mais um ano de muitas expectativas e incertezas, em que a política continuará, infelizmente, ditando as regras e os rumos do futuro da nossa economia.

 



Veja também

    Sobre privacidade

    Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.