Conversamos com a carazinhense Andreia Boscato Muller que vive nos EUA e com o comunicador Luigi Silvestri, de Marau, que participa da cobertura do evento ao lado do pai Carlito Silvestri
Já pensou atingir a marca de ter acompanhado de perto 12 Copas do Mundo? Sendo 6 delas ao lado do filho? Pois este é o feito do jornalista e diretor da Rádio Vang Marau, Carlito Silvestri. Em 2006, na Copa da Alemanha, quando completava a marca de 6 Copas do Mundo, ele convidou o filho Luigi para acompanhá-lo no mundial. Trabalhando lado a lado, pai e filho estão presentes desde então nos mundiais para levar a ótica dos bastidores da Copa para Marau e região. “A Vang sempre esteve nesse grande lance de Copa. Sempre pensou a frente, desde 1982. Fomos do analógico ao digital, aperfeiçoamos, crescemos e fizemos a ideia se proliferar. O futebol é o pano de fundo, o que nos permite diversificar nossas pautas e relatar o dia a dia de uma forma leve no país da Copa. Certamente Marau se orgulha de ser representada desta forma e com tamanha desenvoltura”, destaca Luigi.

O comunicador afirma que esta Copa representa um momento especial, pois marca a sua 6ª Copa do Mundo e a 12ª do seu pai. “Compartilhar esses momentos com ele é ímpar. Iniciamos nossa jornada neste ano no México, onde ele esteve em 1986. Tivemos o cuidado na logística e, sem ele saber, buscamos o mesmo hotel da época para ele ter o sentimento de estar lá exatamente 40 anos depois. Foi e está sendo mágico”, diz.
Apesar da realização pessoal, eles destacam que o ritmo de trabalho é muito intenso. “Iniciamos o dia com quatro ao vivos em vídeo. Dois pra Vang e outros dois para o Travel Box Brazil e Travel Food and Drink, ambos canais do grupo Box. Durante o dia ainda envio de quatro a cinco conteúdos em vídeo para os canais entrevistando brasileiros e trocando experiências de quem viaja pelos países do mundial. Muito corrido, mas compensador. Além das redes sociais. O pessoal acompanha e já reconhece na rua. Já é o segundo mundial que paralelamente cubro para os canais além de conteúdos meus que são exibidos. Muito compensador o reconhecimento da audiência quando nos encontra”, afirma.

Mesmo em meio a tanto trabalho, Luigi afirma que dá tempo de torcer pela seleção. “Eu acho que a grande vantagem desse trabalho é a ‘licença poética’ que temos em poder trabalhar e torcer. Nosso objetivo não é jornalístico, de informação do futebol. E sim o entretenimento, as experiências, a troca de dicas… Estar aqui é enriquecedor e é ver a história sendo escrita. Mais do que isso é poder ainda retratar ela na nossa ótica e contando a história de outros tantos que estão torcendo junto”, ressalta.
Ao passar pelos lugares onde os jogos estão acontecendo, Luigi também se surpreendeu com pontos positivos e negativos do evento. “Passamos pelo México e sentimos a empolgação de um povo pelo futebol e pelos brasileiros como poucas vezes encontramos. Uma economia instável, pobreza em muitas cidades, manifestações de entidades de classe nas ruas. Já nos Estados Unidos tudo funciona. De negativo a elitização por parte da entidade que comanda o futebol mundial. Um desrespeito com quem faz o show acontecer que é o torcedor. Preços abusivos, pouco retorno aos aficionados e um certo desdenho”, finaliza.

A visão de uma carazinhense que mora nos Estados Unidos
Andreia Boscato Muller é natural de Carazinho – e foi inclusive capa da terceira edição da Contato VIP, em 1993! Há pouco mais de 25 anos, ela mora nos Estados Unidos, onde construiu sua vida profissional, como artista floral, e também sua família. Apesar da proximidade da sua cidade com os locais sede dos jogos, a família optou por acompanhar a Copa de casa, devido aos altos preços dos ingressos relatados nesta edição.
Mesmo assim, a Copa é vivida de maneira especial por ela e sua família. “Para quem é Brasileiro, Copa do Mundo não é só futebol. É família reunida, comida na mesa, camisa da seleção, parando tudo para assistir ao jogo. Mesmo morando fora há muitos anos, essas memórias continuam muito fortes em mim. A Copa sempre me leva de volta para o Brasil, para a infância, para aquele sentimento que só brasileiro entende. O futebol está no nosso sangue!”, defende.

Seus filhos nasceram nos Estados Unidos, mas ela afirma que em sua casa a torcida é brasileira! “O coração brasileiro sempre fala alto! Como meus filhos nasceram aqui, existe esse carinho também pelo time americano. Mas quando o Brasil entra em campo, não tem jeito: a emoção é diferente. Americanos de nascença, brasileiros no grito de gol!”, diz.
Andreia relata que o clima dos Estados Unidos é diferente ao do Brasil em relação ao evento. “Existe entusiasmo, claro, mas não é aquela energia que toma conta de tudo como no Brasil. No Brasil, o país inteiro muda de ritmo. Aqui, a vida continua mais normal. Mas eu percebo que, cada vez mais, o futebol tem crescido nos Estados Unidos, especialmente com as novas gerações. E para nós, brasileiros que moramos aqui, a Copa continua sendo um momento de muita emoção”, destaca.
A carazinhense acredita que eventos como a Copa do Mundo criam memórias que atravessam gerações. “A gente lembra onde estava, com quem assistiu, o que sentiu… Para quem vive longe do país de origem, isso fica ainda mais importante, porque é uma forma de manter viva a cultura dentro de casa. A Copa nos conecta com a nossa história, com a nossa língua, com nossas tradições e com aquele orgulho de ser brasileiro, mesmo morando em outro lugar do mundo”, conclui.