A trajetória do MAVRS foi homenageada com a Honra ao Mérito, concedida pela Câmara Municipal de Passo Fundo nesta quarta-feira (10/06)
O Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS) carrega em seu próprio nome a memória de uma artista de grande relevância para a história cultural de Passo Fundo e região. Ruth Schneider foi uma artista autodidata que teve seus primeiros contatos com a arte ainda na infância, período em que começou a experimentar e desenvolver seu interesse, desenvolvendo ao longo da vida uma linguagem singular, profundamente conectada ao contexto local. Suas obras trazem elementos marcantes da história e do imaginário regional, criando narrativas e personagens, especialmente vinculados ao espaço conhecido como “Cassino da Maroca”. Sua atuação foi decisiva também para a consolidação do museu, ao lado de nomes como Roseli Doleski Pretto, Tania Rosing e Lurdes Canelles. Nesse processo, Ruth realizou uma importante doação de obras, contribuindo diretamente para a formação do acervo institucional, hoje reconhecido por sua diversidade e relevância.

Foto: Arquivo MAVRS
Ao longo de seus 30 anos de trajetória, o museu acumulou uma história marcada por exposições, artistas e eventos que consolidaram seu papel no cenário cultural. Entre os momentos mais significativos, destaca-se a transferência do acervo do centro de Passo Fundo para o Campus I da Universidade de Passo Fundo, um processo que representou não apenas uma mudança física, mas uma profunda ressignificação do espaço museológico. Essa transição possibilitou novas formas de relação com o público, com o acervo e com as práticas curatoriais desenvolvidas pela instituição.
Atualmente, o MAVRS reúne aproximadamente 1.400 obras, configurando um acervo amplo e plural, que abrange diferentes técnicas, linguagens e períodos. Diante dessa diversidade, torna-se até difícil apontar obras ou artistas do acervo. Ainda assim, o acervo contempla nomes de grande relevância para a cena cultural do Rio Grande do Sul, como Vasco Prado, Danúbio Gonçalves, Carlos Pasquetti, Elaine Tedesco, Esther Biano, Hilda Mattos, Lia Menna Barreto, Tânia Couto, Caé Braga e Maria Tomaselli, entre tantos outros presentes no acervo.

As exposições realizadas pelo museu partem tanto de seu acervo institucional quanto de propostas de artistas externos. No caso das mostras internas, são desenvolvidas a partir de processos curatoriais que articulam temáticas relacionadas às obras, técnicas e artistas presentes na coleção. Já as propostas externas são recebidas mediante envio de portfólio e projeto, sendo avaliadas conforme critérios de qualidade, relevância e alinhamento com a linha curatorial e a comunicação expográfica do museu.
Ao longo dessas três décadas, o MAVRS passou por um processo contínuo de transformação e fortalecimento institucional. Inicialmente voltado à constituição e preservação de seu acervo, o museu ampliou sua atuação, consolidando-se como um espaço de difusão, formação e produção cultural. A expansão das atividades expositivas, o desenvolvimento de ações educativas e o fortalecimento do diálogo com a comunidade e com agentes culturais foram fundamentais nesse percurso. Hoje, o museu se configura como um espaço dinâmico, que articula memória e contemporaneidade, reafirmando seu papel como agente cultural ativo no território.

Nesse contexto, o papel de um museu de artes visuais em uma cidade do interior torna-se ainda mais relevante. Além de democratizar o acesso à cultura, o museu possibilita o contato da comunidade com diferentes linguagens artísticas, promovendo formação e comunicação por meio da arte. Também atua como um importante espaço de valorização e visibilidade para artistas locais e regionais, fortalecendo a produção artística e contribuindo para a construção da identidade cultural.
Reconhecimento
Nesta quarta-feira, 10 de junho, o MAVRS recebeu a homenagem de Honra ao Mérito, concedida pela Câmara Municipal de Passo Fundo, em reconhecimento aos trabalhos, projetos e ações desenvolvidos ao longo de sua trajetória. A cerimônia foi realizada no plenário da Câmara Municipal de Passo Fundo, em um momento especial que celebrou as contribuições do MAVRS para a preservação da memória artística, a formação cultural e o fortalecimento da comunidade.

Visite o MAVRS
As visitações ao espaço são gratuitas e acontecem de terça à sexta-feira, das 8h30 às 17h15. Para visitas espontâneas, basta comparecer ao Museu, que fica no Prédio D3, no Campus I da Universidade de Passo Fundo, dentro desse horário.
Já as visitas para grupos podem ser agendadas pelo e-mail mavrs@upf.br. Nesses casos, a equipe do MAVRS realiza mediações e, mediante solicitação prévia, também pode oferecer oficinas para os participantes.
