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Ninguém precisa ver


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19 de fevereiro de 2016

Tempo de Leitura: 2 minutos

Ninguém precisa ver


Continuo aqui vivendo minha relação de amor e nojo com as redes sociais. A última da semana é criticar as mães que aceitaram o desafio da maternidade no Facebook e postaram fotos de momentos felizes com seus pimpolhos – inclusive eu.

Não costumo aceitar os desafios e olha que já pulei muitos. Mas achei bacana esse. A maternidade mexe com a gente, deixa a gente meio boba, olhando fotos, sorrindo, chorando, lembrando as coisas boas. É para isso que serve o desafio e só. Não serve para mostrar que somos supermulheres, que os filhos são superperfeitos, que somos superfelizes. Não mesmo.

Assim como muitas pessoas que já se manifestaram brilhantemente a respeito, não concordo com a necessidade de mostrar felicidade excessiva nas redes sociais. Não concordo com momentos forjados, com superexposição, com hipervalorização da imagem, fotos de momentos íntimos, exageros, falta de noção. Discordo, discordo, discordo. Mas criticar as mães que postaram momentos felizes com seus filhos? Ah, por favor, me poupem!

O que as pessoas queriam ver? Os filhos vomitando, entrando no banheiro para fazer as necessidades junto com a gente? Se jogando no chão do supermercado? Chorando, com febre, com fome, acordando no meio da noite e arrastando o travesseiro para o nosso quarto? Talvez fotos do parto, da cesárea, do extrato da pensão alimentícia, da roupa suja de feijão, sopa e xixi.

Pergunte a qualquer mãe, com filhos de qualquer idade, quais são os momentos que ela mais lembra. Certamente ela não citará enjoos, dores, tristezas e lamentos. Criar filhos é sim muito difícil, às vezes doloroso, muitas vezes estressante e na maior parte do tempo, não é um mar de rosas. Só que ninguém precisa ver isso nas redes sociais.

As mães são quase uma sociedade secreta. A gente se olha e se entende, mesmo que não se conheça. A gente se cruza na porta da escola, quando as crianças estão chorando para entrar e se sente quase na obrigação de dizer um “vai passar”. A gente senta junto no consultório e troca receitas de chás, de como tirar a criança da cama dos pais, de como aliviar o incômodo dos dentes nascendo. A gente sabe que não é fácil. Os pais também sabem, os avós, os tios e os vizinhos. Quem é o alienado que não sabe que os filhos dão trabalho?

Acho muito mais desnecessário mulheres postarem fotos de seu pós-parto com barriga chapada. Isso sim é opressor, irreal e distorce a realidade, porque é exceção e não regra. Mas uma mãe feliz com um filho é a regra, apesar de tudo. Apesar das fraldas, das noites sem dormir, das dores nas costas, dos medos, anseios, mamilos rachados, preocupações sem fim. Apesar disso e não por causa disso. Por isso sorrimos nas fotos, porque o resto, ninguém precisa ver.



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