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Lincoln e o poder


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10 de maio de 2016

Tempo de Leitura: 2 minutos

Lincoln e o poder


Abraham Lincoln sabiamente disse: “se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”. Isso foi há muito tempo, mas nunca foi uma afirmação tão atual. E não me refiro somente à política, mas ao cotidiano da sociedade, tão enfraquecida por quem faz mau uso do poder, seja em que esfera for.

Porque o poder é um produto engraçado. Ele se adapta facilmente ao tamanho e ao molde de quem o exerce. Pode ser um poder pequeno à vista de quem observa, quase irrisório. Porém, quem faz uso dele para oprimir e subjugar pensa que possui todo o poder do mundo.

É fácil perceber, por exemplo, quando o poder “sobe à cabeça” de alguém, como popularmente se diz. São pessoas incapazes de se colocar no lugar dos outros, de exercer bondade e de abrir mão do benefício próprio, simplesmente para favorecer alguém que precisa mais. São pessoas vazias de significado existencial, mas que preenchem essa lacuna convencendo a si mesmas de que seu poder lhes basta.

Sinto uma tentação enorme de ter raiva dessas pessoas. Porque, por menor que seja o poder que possuem, poderiam usá-lo para o bem comum, ao invés de fazer dele seu principal objetivo de vida. Só que tem um sentimento ainda maior que me move quando penso nesse tipo de gente: a compaixão. Aliás, pena mesmo, dó.

Essas pessoas, que se autoproclamam semideuses, desconhecem que o poder tem um limite. Tanto o menor poder, quanto o maior e mais aparente calam sua arrogância diante de um diagnóstico inesperado, de um leito de hospital, de um esquife gélido. De que adiantou tratar as pessoas como se fossem menores ou menos importantes, se diante da doença e da morte, o poder não serve para nada?

Outra característica inexplicável de quem exerce mal o poder é que nem sempre aprendeu isso em casa. Tem uma porção de gente por aí que foi bem criada, por pessoas honestas e humildes, muitas até de origem simples, que quando detêm em suas mãos um pouco que seja de poder, fogem muito aos seus. São como patinhos feios no meio de um belo ninho, só que nunca chegam a virar cisnes. Por dentro continuam feios por toda a existência.

Ao contrário disso, e ainda bem, existe muita gente que galgou posições realmente elevadas e de destaque, que jamais esquecem de onde vieram e que no meio do caminho, nunca precisaram pisar em ninguém para se sentirem importantes. São pessoas que demonstram que a humildade é o poder mais impactante da Terra, porque mesmo podendo usá-lo para o próprio benefício e de maneira errada, escolhem honrar o berço humilde que os embalou. A essa altura preciso citar Lincoln de novo: “não importa o ninho, se o ovo é de águia”.

E embora eu seja um pouco cética ao olhar para estes casos e imaginar que o final de pessoas assim é sempre o mesmo (geralmente rodeados apenas por aqueles a quem puderam comprar) eu espero que cada ser humano exerça o pleno direito de escolha de ser diferente disso. De entender que uma cadeira não muda a essência de ninguém e principalmente: de saber que a quem mais foi dado, mais será cobrado. Dessa lei, ninguém pode fugir. Nem mesmo Lincoln, assassinado em 1865 por um ator, em um teatro.



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