Com investimento de R$ 13 milhões o Passo Fundo Valley expande o UPF Parque e cria um “megahub” de inovação fora das capitais
Na noite dessa quarta-feira, 20 de maio, a Universidade de Passo Fundo (UPF) entregou oficialmente o Passo Fundo Valley. O distrito de 10 hectares chega para reconfigurar o mapa da inovação e do empreendedorismo no Norte do Rio Grande do Sul. O projeto coroa a ascensão do município de Passo Fundo, que saltou da 8ª para a 2ª colocação no ranking de ecossistemas de inovação do estado em apenas três anos. A inauguração foi realizada com a presença de autoridades e comunidade de toda a região, em um momento que marcou a entrega da obra que levou menos de um ano.
O espaço entregue à comunidade foi desenhado para conectar três pilares: academia, mercado privado e setor público. O ecossistema prioriza e impulsiona negócios divididos em cinco verticais estratégicas da região: Agronegócio, Saúde, Indústria Criativa, Educação e Tecnologias da Informação e Comunicação. Viabilizado por R$ 13 milhões — sendo R$ 10 milhões captados em edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e R$ 3 milhões de contrapartida da Fundação Universidade de Passo Fundo (FUPF) —, o Passo Fundo Valley ocupa 10 hectares no Campus I da UPF e amplia em 75% a área dedicada à inovação no parque.

De forma geral, o projeto adicionou mais de 2.900 m² de nova infraestrutura aos 4.000 m² já existentes, elevando para mais de 7.000 m² a área física dedicada à inovação no campus. O complexo passa a contar com salas corporativas, laboratórios avançados, a Arena UPF Parque (150 pessoas), nova incubadora com mais de 500 m², além do Espaço Collab, Coworking e Stage Valley. No entanto, segundo o gestor do UPF Parque, Ricardo Fantinelli, a criação do Passo Fundo Valley não é apenas uma expansão de infraestrutura, é a concretização da visão de integração da Universidade com empresas, governos e sociedade. “É a expansão dos ambientes de colaboração, somada a novos projetos estruturantes. Vamos criar mais pontes com a comunidade regional, permitindo, assim, que pesquisadores, acadêmicos, empresários e agentes públicos atuem em sinergia para que a inovação de fato seja transformada em impacto real, potencializando nossa excelência em pesquisa, extensão e geração de talentos”, comenta.

Para a reitora da Universidade, Bernadete Dalmolin, é uma alegria para a Universidade fazer essa entrega neste momento. “Eu faculto muito esse movimento que vem acontecendo à força do poder público. É importante dizer que é uma escolha também das prefeituras, do governo do estado, da União, investir na inovação, investir no desenvolvimento e ter clareza de que nós precisamos de pessoas qualificadas, de ciência, nós precisamos dessa interação entre os atores para realmente poder nos acrescentar naquilo que a vida solicita”, pontuou em coletiva de imprensa realizada antes do evento. “Nós precisamos acelerar aquilo que é tão importante para o crescimento do país, para o desenvolvimento do país nos âmbitos econômico, social, cultural, ambiental. Felizmente nós chegamos a esse momento. Nós desenvolvemos a nossa região, nós temos muitos ativos aqui e nós agora podemos ter um espaço ainda mais qualificado para nos encontrarmos, para nos colocarmos lado a lado e para criarmos novas oportunidades. A inovação é feita exatamente dessa sinergia e para a Universidade poder ter essas trocas é extremamente relevante”, acrescentou.
Lotes já estão disponíveis: modelo transforma ocupação em pesquisa
A partir de agora, os novos terrenos que circundam o Parque já estão disponíveis a interessados e são destinados a empresas de base tecnológica, startups e centros de P&D. O foco é atrair negócios que desejam co-criar com a academia, transformando o conhecimento científico em inovação aplicada e soluções de mercado. Ao todo, serão ofertados 34 lotes urbanizados de 1.000 a 3.000 m² para indústrias instalarem suas próprias unidades de pesquisa e desenvolvimento. O diferencial está no modelo de Direito Real de Uso por 20 anos prorrogáveis: até 75% do valor da ocupação do terreno pode ser convertido em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação executados em parceria com os laboratórios da universidade. Empresas instaladas contam ainda com sandbox regulatório municipal e incentivos fiscais previstos na Lei Municipal 6.041/2025.
A instalação no Passo Fundo Valley ainda dá acesso à Rede Analítica UPF Multi, que reúne mais de 210 laboratórios especializados compartilhados — eliminando a necessidade de a empresa instalada montar estrutura própria para ensaios e laudos regulatórios. As interações de pesquisa e desenvolvimento entre a academia e o mercado resultaram em R$ 4,2 milhões em negociações no último ciclo. A FUPF, mantenedora da UPF, detém 100 ativos de propriedade intelectual vigentes e mais de 150 títulos protegidos.

Durante o lançamento do Passo Fundo Valley, quatro empresas assinaram protocolos de intenção para os espaços: Stara S/A, Grupo Fotosul, Tetrix Construção Inteligente e Semiocrop. O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Stara, Cristiano Paim Buss, falou em nome das empresas e ressaltou a importância para a empresa de estar dentro da Universidade. “Falo para todos os empresários que estão aqui hoje, nosso dever é estar aqui dentro da Universidade. Hoje, nosso centro de pesquisa conta com um terço de todos os profissionais que nasceram do espaço que temos aqui no UPF Parque. A máquina que está aqui ao lado, está em 35 países e nasceu aqui dentro. Isso é criar valor. Então, hoje, essa carta que a assinamos aqui não é apenas uma carta de intenção. Nós estamos assinando um compromisso com o futuro e o futuro começa aqui no Passo Fundo Valley”, disse.
Fotos: Ederson de Ávila